Archive for Julho 2011

Seção Poema — Lagoa Desamar

quinta-feira, 28 de julho de 2011 § 2

Lagoa Desamar

Joguei uma pedra na Lagoa Desamar
Ela quicou sete vezes antes de afundar
Me joguei na água pra salvar o meu amor
Encontrei apenas umas pedras e mais dor

Os grilos alvoroçados zombavam de mim
Tanta perturbação que acendeu meu estopim
Espantei libélulas com fúria enlameada
Chutei sapos que de príncipe não tinham nada

A raiva abrandou com meu corpo desfalecendo
Mas os raios de sol iam todos já morrendo
Me lembrei do meu amor que se afogara

na lagoa de amores, quitutes e guaraná
Fiquei com fome de dessabores de aquém-mar
Atirei mais pedras na Lagoa Desamar

Wesley Rezende

Seção Poema — Cavalheiro Inspirador

sexta-feira, 22 de julho de 2011 § 2

Cavalheiro Inspirador

Se ao menos tu revelasses onde escondes
teus poemas!
Mas tua alma se fecha para os olhares curiosos
de uma camponesa.
E a alegria, que se podia gozar com o sublime da natureza,
torna-se inacessível no esconderijo dos teus encantos.

Ó sagaz cobrador de impostos! No teu ofício,
teu sorriso se faz sombrio!
Anelantes, todos aguardam o despojar
da tua farda.
Na memória estão vivos os gloriosos gritos
espontâneos da tua juventude.

Não permitas tu que as trevas te envolvam, e assim
motives a rebelião do teu povo.
A esperança poderia ceder ao enfado que se tornou
a tua amargura.
Ah! se ao menos tu revelasses onde escondes
teus poemas!

Os teus versos seriam nosso prazer
entre as calamidades.
Nosso espírito se ergueria, e o coração de todos se voltariam
ao trabalho!
Não nos negue teu esplendor! Ó fonte entenebrecida,
liberte-se da tua arrogância!

Wesley Rezende

Seção Poema — Fracasso Autoral

§ 1

Fracasso Autoral

Bem confortavelmente,
observava seus pés
sobre o braço do sofá.

Intelectualmente,
contava de um a dez,
aguardando certo triunfar.

Inesperadamente,
inverteu-se, com fé
em iniciar a raciocinar.

Inevitavelmente
em extremos, cabeça e pés
não deram liga à trufa.

Wesley Rezende

Seção Poema — Paixões de Poesia

quarta-feira, 13 de julho de 2011 § 5

Paixões de Poesia

O alicerce da minha poesia
é um tamborete marrom e manco;
sobre ele um grupo anestesia
os pensamentos de um homem franco:

São as letras organizadas numa
lógica mecânica, ignorada;
às vezes irritando, por nenhuma
evitar da mente ficar parada.

Sob as quatro pernas há um crochê,
redondo, enrugado e com furos.
As linhas entrelaçam meus clichês,
e o desenho adorna meu futuro.

De repente, ganho alguns presentes:
ideias, frases, sonhos e canções.
E aí, da geringonça nascem entes
que dão vida às paixões nascentes.


Do-dia

Dístico — Superficial

sexta-feira, 8 de julho de 2011 § 0

Superficial

Sucesso susceptível ao fracasso...
conquista de um amor inconstante, falso. 


Wesley Rezende

Seção Poema — Jequitiranaboia

segunda-feira, 4 de julho de 2011 § 0

Jequitiranaboia

Pescando e comendo amendoim...
Iscando insetos raríssimos...

Mas não havia peixes ali.
As águas superácidas os extinguiram.

Coloquei no jequi tirana boia envenenada.
Meu avô culpou a jequitiranaboia pelo veneno na água.

Wesley Rezende