Archive for Junho 2011

Seção Poema — Forasteiro

domingo, 26 de junho de 2011 § 4

Forasteiro

Então eu não sou brasileiro
Prefiro não ser
Se não tenho direito de ser
o que quero ser
prefiro não ser

Não sou americano
Não sou indígena
Não sou branco
Não sou mulato
Não sou negro

Eu sou eu
todo imperfeito
e muito perfeito
Vou sendo assim
Volto mais cheio de mim

Mas vivo aqui
e amo sem prender-me  ao passado
duma nação desconhecida
que tenta me recriminar
por eu ser do meu jeito

Wesley Rezende

Seção Poema — Help Calçados

quarta-feira, 22 de junho de 2011 § 6

Help Calçados

Aqui tem help pro teu pé,
pro teu calo, pro teu calçado.
Help pra tua chinela rebentada.
Grampinho chique
pra correia ficar atada.

Aqui você encontra as mais novas tendências
Para personalizar seu calçado.
Folheamento a ouro.
Aplicação de brilhantes.
Tudo para satisfazer sua necessidade.

Wesley Rezende

Seção Poema — Pobre Educado

segunda-feira, 20 de junho de 2011 § 4

Pobre Educado

modelo educado não tem noção
do que é anedota
do que é educação

modelo educado contou
educadamente
uma piadinha sobre educação

dizia que é falta de educação
comer na sala
em frente à televisão

mas se tiver educação
também na cozinha
tem televisão

modelo rico educado é tão educado que despreza a educação do pobre que
                                                                                   [só tem uma televisão
o pobre educado é muito inteligente por ignorar burrice tão educada
e mais esperto por fazer disso tudo uma grande piada

Wesley Rezende

Seção Poema — Sonâmbulo

sábado, 18 de junho de 2011 § 5

Sonâmbulo

Dorme em pé, acordado, levantando
Dorme sentado, andando e reclamando
Tic tic tic
Tic tic tac

Acorda babão! Acorda babão!
Meu sono não é em vão
Pra escutar segredos tão
Tolos durante toda escuridão

Do-dia

Dístico — Poemas Noturnos

terça-feira, 14 de junho de 2011 § 0

Poemas Noturnos

Encerraram-se os poemas made in Google Translate.
Amanheceu. Na mesa há pão, margarina trans e leite.

Wesley Rezende

Poem Section — Seven

segunda-feira, 13 de junho de 2011 § 0

Seven

I want more seven!
Please!
I want more life;
more love.

I do not want seven miserable years.
I need of years Number Seven.


Wesley Rezende

Poem Section — Seven Virtues

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Seven Virtues

The love, complete virtue,
the correct feeling for all moments.
It is the justice; it is the prudence.
The love is what it feeds the faith and the hope in our hearts.
It is what it moderates our dreams perfectly.
This love gives courage!
Love vivifies petrified hearts.


Wesley Rezende

Poem Section — Seven Deadly Sins

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Seven Deadly Sins

At zoo, a monkey had envy
of the laziness of the lion.
The lion, very proud,
had not made effort to obtain food.

A monkey irate
because did not satisfy the lust.
There was not food
for gluttonous females of him.

He covets the king life.
Greed, luxury, sloth; glutton.
He covets the king life Lion.


Wesley Rezende

Poem Section — Seven Days of Creation

domingo, 12 de junho de 2011 § 0

Seven Days of Creation

On the first day, God created the light;
on the second day, He created the firmament, the skies;
on the third day, dry land and seas,
trees and plants;
on the fourth day, He created the sun, the moon and the stars;
on the fifth day, God created the fish and the birds;
on the sixth day, animals and man.
And God rested on the seventh day.
The works of God were complete and perfect.
God saw all was good.

But the man chose the error
and, thenceforth, destroys the creation.


Wesley Rezende

Poem Section — Seven Gifts

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Seven Gifts

Give me wisdom;
I need to construct a life.
Give me comprehension;
I need to construct a friendship.
Give me an advice;
I need of help.
Give me fortitude;
I need to triumph.
Give me knowledge;
I need to remember again the truth.
I need to fear to the LORD.
I want to have the Spirit of LORD inside me.


Wesley Rezende

Poem Section — Seven Wonders of the Modern World

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Seven Wonders of the Modern World

The modern world isn't equal to the ancient
The world is divided by the Wall of China 
The hearts of the men are equal to the Petra
The executions happen outside of the Colosseum

There isn't love to construct other Taj Mahal
The humanity corrupted itself because of the gold of Chichen Itza
There isn't harmony with the nature as at Machu Picchu
The Christ the Redeemer statue doesn't represent The Truthful


Wesley Rezende

Poem Section — Seven Food of the Miracle

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Seven Food of the Miracle

We have five bread and two fish
But five a thousand people need to eat

We have five bread and two fish here 
Would it be better if we go away?

We were sick here
But we all are healed now

There isn't more hunger
and we have twelve full baskets here


Wesley Rezende

Poem Section — Seven Wonders of the Ancient World

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Seven Wonders of the Ancient World

I saw the sea illuminated by the Lighthouse of Alexandria.
I know how they constructed the Great Pyramid of Giza.
In the Hanging Gardens of Babylon,
I designed the Temple of Artemis at Ephesus.
I guarded my fear in the Mausoleum of Halicarnassus,
before destroying the Statue of Zeus at Olympia.
I am the alive Colossus of Rhodes.
I am the seven wonders of the ancient world.


Wesley Rezende

Poem Section — Seven Days of the Week

sábado, 11 de junho de 2011 § 0

Seven Days of the Week

Monday, business day
Tuesday, business day
Wednesday, business day
Thursday, day of stress
Friday, day of psychiatrist
Saturday, day of hospital
Sunday, the day that I will die


Wesley Rezende

Poem Section — Seven Musical Notes

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Seven Musical Notes

Sing
A, B, C, D, E, F, G
Sing again
C, D, E, F, G, A, B
Sing high
La, Si, Do, Re, Mi, Fa, Sol
Sing pleasantly
Do, Re, Mi, Fa, Sol, La, Si
Sing backwards
Si, La, Sol, Fa, Mi, Re, Do
B, A, G, F, E, D, C
Sing and be happy


Wesley Rezende

Poem Section — Seven Dwarfs

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Seven Dwarfs

Dopey became friend of the Snow White.
Happy, he bought a gift for her.
But he was Bashful;
could not to deliver.
Then, while she was Sleepy,
he placed the gift next to her
and... sneezed — Sneezy?
But the Doc was without glasses
and he did not see the Grumpy prince eating the gift.


Wesley Rezende

Poem Section — Seven Colors of the Rainbow

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Seven Colors of the Rainbow

My white life was divided
because of the colors of our love.
A violet bow launched me arrows
of this red passion.
We, lying in green fields,
looking at the blue sky,
see the yellow sun become orange.
When the sky becomes indigo,
our love continues colorful.


Wesley Rezende

Poem Section — Seven Heavenly Bodies

sexta-feira, 10 de junho de 2011 § 0

Seven Heavenly Bodies

My universe is a black hole
that it attracts other celestial bodies.
Passions of nebula leave dense my vision of reality.
My stars were comets
that I will not see again before dying. 
My dreams are meteorites that burn when they enter
in the atmosphere of this cruel planet.


Wesley Rezende

Poem Section — Seven Openings of the Head

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Seven Openings of the Head

There is a fiction movie
where the reason obeys the heart.
It's not necessary to breathe to live.
Two nostrils are plastered in a work of art.

All are on at electric energy.
Mechanical heart isn't fed by the mouth.
There isn't tear in the eyes; there isn't allergy.

Ears don't hear cry of the children.
In the script, they kill the dream of youth.
And men close their own souls.


Wesley Rezende

Dístico — Acidente Oportuno

terça-feira, 7 de junho de 2011 § 2

Acidente Oportuno

Caminhos se encontram na esquina premeditada...
Caminhão de intenções espalhadas pelo chão.


Wesley Rezende

Análise — "A Dama Branca", de Manuel Bandeira

sexta-feira, 3 de junho de 2011 § 0

As estrofes se restringem a quatro versos. Isso transmite a ideia de restrição de vida, resultado do contato ou proximidade da morte. Essa ideia de perca também é evidenciada nas estrofes em que os versos não concluem as nove sílabas poéticas, preponderantes na obra. Esses versos "incompletos", quase sempre, contêm quatro sílabas poéticas — quantia de versos das estrofes.
No poema ocorrem rimas agudas, graves e esdrúxulas, dispostas alternadamente. No entanto, ocorrem exceções na quarta e sexta estrofes. Na quarta estrofe ocorre a única rima entre palavras proparoxítonas. Isso demonstra a tentativa de aprofundar-se no universo para conhecê-lo.
Ainda na quarta estrofe, a "Dama Branca" é denominada somente por "Dama". Estabelece-se, então, a relação dicotômica "Dama Branca"/"Dama".
A partir disso, pode-se dividir o poema em três partes. Na primeira — as três primeiras estrofes — está presente a "Dama Branca", que é uma metáfora relativa à brandura (irônica ou dissimulada) ou ilusão na relação com o "eu" poético. Na segunda parte, a ilusão cessa e o "Branca" dá lugar a adjetivos pejorativos. Por fim, na terceira parte — as duas últimas estrofes — ocorre a retomada das características iniciais. Essa alternância demonstra impotência diante do constante engodo da morte.

Wesley Rezende

Seção Poema — Diacronia

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Diacronia

Da natureza brota inspiração
que exercita-te a percepção
do real.

Do real ideal você prega
o melhor conceito da sua
imaginação.

Daí, desvia o universo
para o próprio ego
— o "eu" maior que tudo
torna-se incompreensível.

Da dissonância você foge
para se tornar objetivo
no trabalho com a linguagem...


Wesley Rezende