Archive for Março 2011

Seção Poema — Meu Soneto

sábado, 26 de março de 2011 § 1

Meu Soneto

Cara
Esse aqui não é meu mundo
Eu não sou de leitura
Não sou de literatura

Trava
Eu era da terra
De insetos, bactérias
Ciência exata, matuta e bela

Para
Larga de rima, de lima
Deixa tropeiro

Prova
Não sou você
Não quero ser


Wesley Rezende

Seção Poema — Coração em Cacos

sexta-feira, 25 de março de 2011 § 0

Coração em Cacos

Se não for eu quem tu amas,
As poesias arderão em chamas
— nas chamas cruéis da solidão
Nas brasas insanas do coração.

Coração de vidro todo quebrado.
Do caco fonia de martírio fado.
Nos pés calos de amor tição.
Nos olhos lágrimas com paixão.

Quando te vir em outros braços,
Apesar do fel, mostrarei doçura
— sorriso amargo peando ternura.

Os braços de outra não procurarei.
No exemplo do rei aprendi retidão.
Apenas rainha terá do pai chão.

Wesley Rezende

Seção Poema — Alerta

terça-feira, 22 de março de 2011 § 0

Alerta

Saiam da minha frente!
Não haverá diálogo nem concessão.
Serão iguais homens e construções.

Não poupo vida; não poupo sonhos.
Não vejo lágrimas; não vejo gente.
Saiam da minha frente!

Eu vou com força e volto devagar.
Indonésia e Japão não podem me parar.
Destruo casas e volto para o mar.

Eu bem aviso, eu sou bonzinho.
Não sejam tolos nem negligentes.
Se não querem meu carinho,

Saiam da minha frente!

Wesley Rezende

Seção Poema — Grito Escondido

§ 0

Grito Escondido

Ó vontade de escrever sobre o amor;
contar a todos os meus sentimentos,
dizer com clareza os meus pensamentos.

Ó vontade de ser impaciente;
perder o controle e confessar que te amo,
liberar a angústia que enlouquece e consome.

Ó inquietude da alma;
revolta ardente que alimenta meus sonhos,
espera doente pelo certo momento.

Ó amor que desafia minha paz!
Como te quero estrela;
como te quero...

Verás!

Wesley Rezende

Potencialidades Desprezadas

segunda-feira, 21 de março de 2011 § 0

As pessoas nascem com propósitos inatos; sobreviver, relacionar-se e desenvolver-se formam os ensejos básicos de todos. A partir disso, as pessoas observam necessidades mais específicas e particulares; querem aproveitar o máximo de si próprias e do mundo. Tudo isso está condicionado à comunicação e  às oportunidades oferecidas.
Na sociedade, criam-se padrões de normalidade para a comunicação e convívio dos cidadãos. A regulamentação da sociabilidade acontece na esfera constitucional, e teórica, ou na esfera da prática do cotidiano. Quando analisadas, essas esferas se diferenciam muito.
A Constituição Brasileira assegura a igualdade de todos; independentemente do sexo, raça, crença religiosa, deficiência ou ausência dela. Na prática da sociedade não se observa que esse direito de igualdade seja cumprido.
No Brasil, as pessoas com deficiência não têm as mesmas oportunidades que as demais. A quantidade e qualidade das ferramentas que garantem a acessibilidade dos deficientes às escolas, hospitais, bancos, lojas, cinemas, entre outros, são insuficientes. Dentro da comunidade são poucas as pessoas capacitadas para comunicar-se com pessoas especiais.
Enfim, muitos brasileiros, por causa de suas deficiências e da falta de atitude da nação diante delas, não conseguem realizar seus sonhos, seus planos. Encontram em suas relações a decepção por terem suas potencialidades desprezadas.

Alessandra Rodrigues, Jussania Silva, Patrícia Pereira e Wesley Rezende

O Conhecimento

sexta-feira, 18 de março de 2011 § 0

O conhecimento é um objeto constituído da absorção ou abstração das influências que a existência de outros objetos exerce no universo. A existência de objetos reais pode ser ignorada; esses objetos desconhecidos fazem parte de uma dimensão paralela. O conhecimento, então, é sujeito ao contato de um objeto com o pensamento, imaginação e sensibilidade de um ser vivente.
Atualmente, este conhecimento, experiência humana adquirida através do tempo mediante instintos e raciocínio, é dividido em quatro grandes grupos: conhecimento popular, filosófico, científico e religioso. Eles são diferenciados pela forma espontânea pela qual foram adquiridos, pelos assuntos prioritários que englobam, pelas características dos métodos que comprovam sua veracidade, pela exigência padronizada de um raciocínio prolongado a respeito de seus objetos.
O conhecimento popular é, acentuadamente, constituído de contemporaneidade. É reflexo da liberação das mais precoces conclusões a respeito do ambiente. Não se preocupa em relatar as origens das afirmações, e nem em ponderar as conseqüências delas para o futuro.
O conhecimento filosófico é resultado da valorização do próprio objeto conhecimento. A partir da generalidade da experiência com um conjunto amplo de objetos se formula um padrão de lógica, que é utilizado para discriminar temas metafísicos.
O conhecimento científico trata da descoberta das leis naturais ou sistemas relativos à sociedade humana. Preocupa-se em prever possíveis repetições dos acontecimentos físicos e biológicos, e descrever a forma com que o homem utiliza o meio ou desenvolve suas potencialidades.
Finalmente, o conhecimento religioso alicerça-se na fé, que é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem (Hb 11.1), sem a qual é impossível agradar a Deus (Hb 11.6).

Wesley Rezende

O Estrangeirismo da Lan House

quarta-feira, 16 de março de 2011 § 2


Como eram interessantes as lan houses; era ali que os jovens se encontravam para um happy hour. Pessoas de todas as tribos chegavam com suas bikes e skates, com suas tattoos e piercings. Os nerds eram iguais a todo mundo, todavia, sempre havia uma ironia com os pop-stars e com os cowboys.
A lan house era mais que uma simples sala de games em rede, era também lanchonete de fast-food, onde se serviam hot-dogs e hamburguers, refrigerantes diets e lights. Os freezers sempre estavam cheios de sorvetes e picolés.  As lan houses eram shoppings centers de gírias e looks.
 Ali se reuniam aspirantes a matemáticos, que faziam rankings conforme a performance de cada um no counter-strike; era ponto certo para publicitários que faziam o marketing de seus websites.
Entre chats e e-mails, se batia um papo legal. O mouse servia para um simples click ou para o início de uma amizade.
Mas agora cada um fica em sua casa, os encontros ficaram ainda mais on-line.


Wesley Rezende

Seção Conto — Conversa entre Discursos

terça-feira, 15 de março de 2011 § 0


Conversa entre discursos

— O Direto disse que estava cansado no momento do discurso.
— Disse que, na verdade, irritara-se contigo. Por que acompanharia aquele arrogante? Decidiu, então, não participar.
— Ele dizia ver a importância de todos. Defendia com veemência o sindicato.
— Decidiu abandoná-lo. Sindicato de três... Quanta bobagem! Revoltou-se com a estrutura.
— Sempre afirmava que não havia para onde ir.
— Pusera na cabeça ir para o deserto. Construirei um novo mundo! Disse que lá as coisas seriam puras.  
— O Direto está gritando no cárcere. Finalmente percebeu que ficará preso aqui.
— Está convencido de que nunca o deixarão ir. Sempre me evocam! Não tenho forças, sou submisso! Não sabe que tem mais valor do que nós. Está com depressão, medo de morrer.
— Ainda não descobriu que é eterno. 


 Wesley Rezende

Seção Poema — Existo

sábado, 12 de março de 2011 § 2


Existo

Aqui ou ali
por vezes sumi
depois eu voltei
eu sempre existi

De lá ou de cá
sem casa, sem lar
nos vales, no mar
amor eu quis dar

Fechastes os olhos
cruzastes os braços
nas ânsias de morte
pusestes a fé

Agora na morte
vereis minhas cãs
mas apenas a morte
tereis por irmã


Wesley Rezende

Seção Poema — Tom

quinta-feira, 10 de março de 2011 § 4


Tom

cai
sol

luz
faz
ir

céu
não
rir


vai
por
mim

som
bem
são

paz
fim

Si


Wesley Rezende

O Homem é Bom pra Cachorro

quarta-feira, 9 de março de 2011 § 0

O telejornal News Brasil, da emissora Record News, exibiu nesse sábado, dia 5 de março, uma reportagem sobre o mercado de luxo para cães. Foram apresentados diversos estabelecimentos especializados nesse segmento. Entre eles, clínicas fisioterápicas, academias e restaurantes tiveram uma atenção especial.
Durante a narrativa do repórter pode-se apreciar belas imagens: cães sendo massageados, cães em sessões de acupuntura, cães se exercitando em aparelhos ou na hidroginástica, e depois disso, cães saboreando refeições refinadas. Muito cachorro, luxo e satisfação.
Mas satisfação de quem?
Os pobres bichinhos sofrem com o deszelo, e depois, com a excentricidade de seus donos. São vítimas da perda do senso de ridículo do homem, e envolvidos numa trama de discriminação social.
O homem sedentário e estressado impõe seu ritmo de vida. Mas no mundo publicitário essa verdade pode ser desconfortável. Então a arrogância, a opressão e a maldade se maquiam de extrema bondade, que é exercida até sobre os dignos animais.
Uma geração que não consegue fazer seus filhos felizes, que não discerne o amor, foi capaz de formular um complexo índice de satisfação canina!
O que importa é o dinheiro. Se a exploração da relação entre homem e cão é lucrativa, que se danem os filhos da nação. 


Wesley Rezende

As Palavras, o Dicionário e a Insensibilidade Humana

sexta-feira, 4 de março de 2011 § 0


As palavras são a essência da linguagem escrita, por meio delas expressam-se sentimentos e estados, descrevem-se objetos e qualidades. Por conseguinte se estabelece uma comunicação, a priori, entre o próprio autor e seu texto e, depois, com os demais leitores.
Diferentemente da comunicação presencial, na qual se pode utilizar diversos tipos de linguagem ao mesmo tempo (oral, gestual, facial, e etc.), a linguagem textual estrutura-se exclusivamente nos significados das palavras, em si, e na mensagem que sua organização sequencial transmite.
Às vezes, pela conveniência, o espaço destinado para se escrever é limitado. Isso obriga ao escritor a selecionar uma quantidade mínima de palavras que o possibilite expressar suas ideias. Para se encontrar palavras com significados mais amplos ou específicos, que cumpram o fim proposto, é necessário que haja um entendimento comum a todos a respeito delas. E nada mais prático do que um arquivo acessível para convencionar a ortografia e significados de termos; trazendo confiança nas inter-relações, permitindo a absorção integral das opiniões contidas num texto.
 O dicionário é um conjunto de vocábulos duma língua ou de termos próprios duma ciência ou arte, dispostos, em geral, alfabeticamente, e com o respectivo significado, ou a sua versão em outra língua (1). Trata-se de uma ferramenta indispensável para a comunicação verbal. No cotidiano, é impossível ter contato com todas as palavras e memorizá-las com seus significados. Além disso, o dicionário pode ser alterado conforme novas correntes de pensamento, ou expandido com a inserção de novos termos, neologismos.
Entretanto, o surgimento de neologismos não desqualifica o arquivo já existente. Atualmente, os dicionários são suficientemente capazes de cumprir sua função. Portanto, não é uma questão de necessidade coletiva que incentiva a criação de novas palavras, mas sim, uma deficiência individual no conhecimento linguístico, um sentimento de desprezo ou inquietude quanto às convenções, ou então, um divertimento com a criação duma linguagem paralela a usual. E isso pode ter o objetivo de comunicar-se ou excluir uma terceira pessoa da conversação.
No entanto, a disseminação ampla desses neologismos não carrega consigo as ideologias ou simpatias de seus criadores. As palavras são usadas sem nenhum tipo de memória, gratidão ou reconhecimento a outrem. Elas são usadas por causa da necessidade – a necessidade é mais importante do que as palavras.
Embora sem sentimentalismo intrínseco, as palavras são extremamente misteriosas e simpáticas, explícitas e asquerosas, objetos maleáveis entre contextos, e indiscretas em divulgar os segredos da mente humana.  

(1)  Extraído do Dicionário Aurélio On-line.


Wesley Rezende